Terça-feira, 31 de Julho de 2007

O Perfume - História de um assassino

Ora...a falar de mais um livro (sim porque adoro ler!) Agora o que estou a ler, não faz parte da minha literatura normal, mas temos que conhecer várias coisas para nos enriquecermos. O livro é o mencionado em epígrafe, tratando de um rapaz, depois homem que não conhece a lei, não sabe o que é a dor e vive num mundo só dele! Passo a transcrever uma breve explicação do livro tirado num site de Internet:

"Toda a trama corre entre os anos de 1738 e 1767, respectivamente anos de nascimento e morte do herói-vilão que protagoniza a obra. Isso posiciona a narrativa dentro dos anos que antecedem a revolução francesa (1789). Uma época em que a França se tornara apática e massacrada pelos interesses burgueses.  

 Jean-Baptiste Grenouille, um ser totalmente inodoro , vem ao mundo em meio a podridão de uma peixaria. A mãe abandona-o à morte, mas ele acaba sendo resgatado, enquanto a jovem mãe desnaturada é condenada a decapitação.

O nascimento do anti-herói em meio aos restos de peixes representa   o estado da nação francesa comprometida desde as origens com ideais espúrios. Paris era o símbolo desta sujeira , não só figurativa como também literalmente :

 

 Naturalmente, em Paris o fedor era maior...

 

O Fato de Grenouille, não ter cheiro algum é um indicador de que ele não tem identidade , mas também não compactua com  a podre situação reinante : Ele não tem o “cheiro” que todos têm.

Jean-Baptiste se  torna, então,  um herói épico que parte em busca de sua identidade, do seu “cheiro” característico , do seu perfume. O Perfume perfeito.

O livro está repleto de mensagens alegóricas incrustadas no texto. Por exemplo, quando Grenouille trabalha no curtume totalmente submisso e indiferente ao próprio sofrimento, ele adoece. Uma doença que o autor chama de “esplenite” 1, que viria a ser uma inflamação do baço. Esta doença incomum, mas não sem propósito, tem o objetivo de descrever o sentimento de Grenouille naquele momento. Assim como o coração é o órgão associado ao amor, o “Spleen”, ou baço em inglês, é o órgão responsável pela melancolia para os românticos. Então, quando o autor diz que Grenouille tem uma “esplenite”, ele está dizendo que ele está com uma inflamação de melancolia, um excesso.

Grenouille descobre que o aroma perfeito pode ser obtido através de jovens moças virgens. Uma clássica alegoria a pureza. Ele mata então a primeira jovem na tentativa de roubar-lhe o perfume vital.

Esse aroma era a chave para ordenar todos os outros, que não entenderia nada de aromas se não entendesse esse.”2

 

 

Mais adiante o herói demonstra sua indignação diante dos modismos:

 

“Porque se precisava de um novo perfume a cada estação?3

 

 

Finalmente Grenouille revela seu grande desejo :

 

Ser um grande alambique que inundasse o mundo inteiro com os destilados por ele mesmo criados...4

 

Esta passagem demonstra que o grande sonho de nosso herói é ser um líder ,um catalisador , uma guia para uma França desorientada e fétida.

 

 

Jean-Baptiste toma consciência de sua insuficiência. Grenouille volta-se para dentro de si mesmo em busca de respostas. Queria “ser” ao invés de “ter” :

 

Queria externar o seu interior que ele considerava mais maravilhoso de que tudo que o mundo externo tinha para lhe oferecer...5

 

Ele se isola , então, em uma caverna a fim de encontrar a si mesmo. A caverna é uma alegoria ao próprio eu:

 

Abriram-se os escuros portões do seu interior e ele entrava6

 

 

Na caverna Grenouille organiza seus pensamentos , seus odores e de lá ele sai pronto para fabricar o aroma perfeito.

 

Ele vai parar em Montpellier e encontra um cientista  o marquês de la Taillade-Espinasse  que acredita que a terra possui fluidos mortais e o ar fluidos vitais, ou seja , quanto mais próximo da terra mais mortal, quanto mais alto mais vital. Grenouille inventa que foi preso por seqüestradores durante sete anos num poço. O que leva o cientista a afirmar que o estado deplorável de Grenouille é a prova de sua teoria. Com esta passagem o autor afirma que até a ciência pode-se deixar iludir ou enganar.

 

Jean-Baptiste recomeça suas andanças e chega a cidade de Grasse,, considerada a metrópole na produção de substâncias aromáticas. Lá Grenouille vai trabalhar numa perfumaria e começa a matar jovens para retirar-lhes o fluído aromático vital.

 

O herói tem um momento de fraqueza e sente a tentação de fugir , de abandonar a empreitada a que se destinou :

 

“...embora fosse velha a tentação de ir embora e se esconder numa caverna.7

 

 

Ao final , Grenouille mata 24 moças e mais uma especial , filha de um homem rico que ocupava o cargo de vice-cônsul, ela é a que tinha o melhor perfume. Com elas ele fabrica vidros de um perfume capaz de inebriar as pessoas.

 

A trama é desfeita , ele é descoberto, preso e condenado , mas no dia da execução ele faz uso do perfume e toda a população reunida acaba vendo-o como um Deus e uma orgia sem controle toma conta de toda a cidade. As acusações sobre ele são retiradas e ele vai embora. Grenouille conseguiu o que queria tornar-se uma espécie de Deus graças ao efeitos do perfume que finalmente conseguiu criar. Mas porque ele não está satisfeito ? Porque sempre que algo novo surge, um novo ideal , um novo objetivo, logo tudo é distorcido em favor de uns e de outros e por fim as coisas são abafadas e tudo fica por isso mesmo. A luta pessoal de Grenouille parece, mas só parece, ter sido em vão.

 

Num única passagem é possível resumir quem é Jean-Baptiste Grenouille :

 

Ele realizara o feito de Prometeu7

 

Ele trouxe a chama divina ao homem e mais, ele a colocou no seu interior. Grenouille foi maior que Prometeu.

 

 

O protagonista vai até Paris e se entrega a um final dramático e fortemente alegórico. Grenouille se encharca do perfume que usou para escapar à execução e é devorado , literalmente, por um bando de mendigos, assaltantes, prostitutas, desertores e jovens desesperados. Ele é despedaçado, consumido por eles, e dele nada resta.  Qual o significado desta morte horrível ?

Pode-se ter a falsa impressão de que o autor queira afirmar que os idealistas são consumidos pelas massas ou pela podridão que o sistema produz. Mas as últimas linhas do texto nos faz pensar em algo diferente.

 

...seus corações estavam bem leves(...) . Pela primeira vez , haviam feito algo por amor8

 

Aqueles malditos que os despedaçaram, na verdade não o mataram simplesmente, mas sim se alimentaram dele. Nutriram suas almas com o perfume de Grenouille, se encheram com seus ideais que eclodiram mais tarde na revolução francesa

publish Princess Sophia às 14:56

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1 comentário:
De lytha a 31 de Julho de 2007 às 16:00
Olá,

Obrigada por comentares o meu post. Como consequência vim espreitar o teu. Também adoro ler e "O Perfume" é um dos livros que mais gostei de ler. Porque nos dá uma sensação de estranheza já que no fim, pelo menos aconteceu-me a mim, ficamos com pena do assassino. Mas é uma história tão bem contada que parece que sentimos os odores descritos.

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